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Não sei, não sei…

Não sei o que é, mas tenho saudades do tempo em que tinha vontade de escrever. Não sei se é vontade de escrever. Não sei o que é. Sei que tenho saudades. Não sei se é, mas para o caso de ser… para o caso de ser…

Aqui estou.

“E tu escolheste escrever!

 

Há quem escreva com medo de enlouquecer, outros porque não sabem fazer mais nada, porque não podem deixar de o fazer, alguns por dever de ilusão ou de vaidade, outros, finalmente, para troçarem da morte e fazerem filhos nas costas do tempo. Tu escreves para deixares de ter rosto. Deixar de aparecer. Dissolver o corpo para que ele deixe de encobrir as palavras. Transforma-te naquelas palavras que se juntam, se contradizem e se dispersam numa infinidade de pequenas imagens ou em punhados de cinza no alto de são uma falésia. As palavras obcecam-te. Dizes que são perigosas, que te impedem muitas vezes de dormir, que se tornam grãos de areia dentro da tua cabeça, o que te causa horríveis enxaquecas. Escreves para transpor a vida, para te pores do outro lado (não me perguntes qual), para te abrigares. Pura ilusão! As palavras são um véu, um tecido fino, frágil, transparente. Desejas que, por detrás desse pano estendido entre ti e o mundo, não se encontre ninguém, não se reconheça nenhuma figura.” 

Tahar Ben Jelloun, O Escrivão Público, Cavalo de Ferro

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A Maçã do Simão

A MAÇÃ DO SIMÃO

Era uma vez um menino chamado Simão. O Simão tinha nove anos e andava já no quarto ano.
Naquela manhã, o Simão saiu para a escola com uma maçã na mochila.
– Com tanta corrida e brincadeira no pátio da escola, ficas sem energia. É preciso ir comendo. Vai roendo esta maçã durante o dia., disse-lhe a mãe ao dar-lhe o beijinho matinal.

O Simão era muito obediente e, naquele dia, sentiu que tinha uma missão: teria de roer a maçã sempre que ouvisse roncar a fome no estômago.
Simão correu, saltou, gritou, brincou e, sempre que se lembrava, dobrava as costas sobre a barriga e colava o ouvido ao umbigo. Mas, nada, do estômago do Simão não havia forma de sair som.

Preocupado por não ter ouvido nada o dia todo e cansado de andar com o ouvido colado ao estômago, Simão perguntou ao seu amigo Luis:
– Será que tenho o estômago estragado?
– É bem possível, Simão. O melhor é perguntarmos à professora. Pode ser que ainda tenha conserto., respondeu o Luis.
E Simão perguntou:
– Professora Alda, o meu estômago não faz barulho, será que já não funciona?
A professora palpou a barriga do Simão, parecia médica, e perguntou-lhe:
– Sentes fome, Simão?
– Não, senhora professora.
– Então, o teu estômago está de perfeita saúde!
– Se tem saúde, porque não faz barulho?, perguntou Simão, indignado.
– Então, Simão, pensa comigo: se não tens o que dizer, tu falas?
– Não, professora. Se não tenho o que dizer, eu fico calado.
– Então, Simão, o teu estômago não tem nada a dizer!

E, ao fim do dia, quando passou o portão da escola, do lado de fora estava um senhor muito magrinho, sentado no chão. O Simão passou por ele e ouviu um ronco forte, tão forte como o ressonar do pai. Encolheu a barriga e dobrou-se mais uma vez, para ouvir o seu estômago. Bem alto, ouviu-se roncar outra vez. Mas, não era o estômago do Simão que fazia barulho, o ronco vinha da barriga do senhor velhinho.
Simão, olhou o senhor e perguntou-lhe:
– Desculpe, mas o senhor é surdo?
– Eu? Eu não!, respondeu baixinho o senhor velhinho.
– Então não ouve o seu estômago a falar consigo?, perguntou Simão.
– Eu oiço, menino. Mas, não tenho o que lhe responder!

E Simão tirou a maçã da mochila, deu-lha e, cumpridor da sua missão, respondeu ao estômago do senhor velhinho.

«Uma última recomendação: sê bom, sê bom através de tudo,
até quando tenhas de responder à maldade dos outros.
A glória humilde, a glória íntima do coração é a maior
e a mais bela de todas.
Não poder continuar a fazer bem aos outros,
a ser, ao menos, gentil para com eles,
é agora o meu maior sofrimento.»

Através de Fundação António Quadros

Andorinha Sinhá

Com elástico por trás… Laçarotes para o cabelo!

Andorinha Sinhá

Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.

Está pronta!!!

A minha colchinha de retalhos…